sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Transitus Sentidus







Vozes e gestos se fundem.
Barulhos latentes ganham status de sinfonia urbana.
Sinfonia rotineira. De gestos repetidos. Compassos ligeiros. Caminhadas coreografadas. O ir e vir da labuta. Corpos se cruzam. Palavras se misturam. Risos fazem e se desfazem. Olhares da pressa. Olhares urgentes. Olhar de por que. Olhar de pra quê. E nesse cenário-semáforo do “Pare” e “Prossiga”, eis que surge o Livro. Que sem pretensões de se perfazer, aparece para integrar-se, fazer parte ou agregar beleza as coisas ditas comuns. Com sutileza ele pede licença pra entrar. Não sabe ao certo porque nem pra quê. Mas se insere bem no espaço dos ruídos quase coral. Entrecruzamento das linguagens. O livro é fixo ou móvel?. Uma luta entre a interioridade e a exterioridade, o mundo subjetivo e o objetivo, como se houvesse uma impossibilidade do trânsito da intimidade. O carro pára. E a humanidade continua a transitar. Sempre com uma via de destino único, voltar pra casa.
Eva Duarte

Um comentário:

cristal de uma mulher disse...

Mais que bonito texto,uma vissão além dos limites ou melhor dizendo de um homem que medita sua propria inteligência. A vida continua mesmo quando os carros param..Bellissimo.
Até gostaria de levar este texto para meu blog,claro com sua autorização e teu nome.

parabéns